Comunidade Sinagoga sem Fronteiras

Depoimento da Jovem Mariana 5 Yeshivá do Sertão

Desafio e Plenitude:
De Dentro da Quinta Yeshiva do Sertão!!
Yeshiva- Para quem não sabe, encontro de jovens judeus, imersos em estudos e atividades, voltadas ao crescimento humano e espiritual!

Desafio, porque essa tem sido a Yeshiva mais desafiante para mim, até agora, desde o começo, pois enquanto em todas as outras vezes eu não precisei me esforçar para estar presente, sempre dependendo dos meus pais, dessa vez, quando meu pai falou que talvez eu não fosse para a Yeshiva, por motivos financeiros, não acreditei, nem aceitei; para mim foi inconcebível perder algo tão importante, sem ao menos lutar por isso.
Eu iria para Yeshiva de uma forma ou de outra, ​e foi isso que disse a mim mesma​.
Precisei trabalhar, vendendo docinhos, para conseguir o dinheiro necessário para o aluguel da van de viagem, assim como os outros jovens de minha comunidade. Foi difícil, madrugamos enrolando brigadeiros e ficamos doloridas de tanto andar pela rua, tentando vender. À cada brigadeiro vendido, era uma gratidão imensa, à D’us e ao comprador, assim como esperança e confiança sobre nosso objetivo. À cada não, era uma pontada no peito, dúvida e medo de não conseguirmos, mas seguíamos em frente, com um sorriso no rosto, porque é mais fácil vender quando se é simpática (Risos) !
E foi assim que, em menos de uma semana, arrecadamos mais de 250 reais, e conseguimos alugar a van.
Desafio, porque grande parte da formação das outras Yeshivot do Sertão, pessoas das quais sou próxima, não pôde estar presente, por motivos de estar em Israel ou simplesmente não poder vir. Houveram muitas pessoas novas e, ao mesmo tempo em que foi um desafio sentir saudade de meus amigos e amigas, foi um prazer ter a oportunidade de conhecer novas pessoas e fazer novos amigos.
É difícil explicar, para quem está de fora, o tipo de vínculo que forma-se durante a Yeshiva do Sertão, mas pode-se resumir em “comunidade judaica” e admiração e apoio mútuo.
Desafio, porque precisei me esforçar para otimizar meus hebraico, o qual negligenciei. Desafio, porque acordar às 06:00 da manhã e deitar-se às 23:00 da noite, com o dia preenchido por estudos e atividades, ainda que com curtos momentos de descanso, não é fácil.
Desafio, porque tampouco é fácil conviver com pessoas diferentes, de diferentes Estados, com opiniões divergentes, ainda que com objetivo em comum (evolução espiritual e pessoal).
Na Yeshiva do Sertão aprende-se o valor do coletivo, e é nesse valor que encontramos significado para os desafios e, consequentemente, a plenitude.
O que é plenitude?
Você já esteve parado em um lugar, sentindo-se leve e feliz, então olhou ao redor, e observou que estava cercada por pessoas confiáveis e unidas, extasiadas de alegria, sem ao menos perceber o quão felizes estão e a sorte que tem; mas aí você percebe essa sorte, e, de repente, experimenta um sentimento chamado gratidão. Gratidão à D’us, por tudo. Pelos momentos que tem tido e as pessoas que estão em sua vida, gratidão por ser quem é e amar-se assim. Você respira e simplesmente agradece por isso, com certa percepção do quanto a vida e o ser humano são incríveis, e aí é como se tudo fizesse sentido.
Para mim, isso é plenitude.
E é isso que encontramos na Yeshiva, à nós mesmos, a grandeza do ser humano e a plenitude que há nisso.
Momentos de reflexão profunda, sobre tudo; momentos de tefila (reza) cheias de fé e alegria; estudos inebriantes de Torá e do quanto ela é eterna e se aplica à nossa vida. Como cada um dos patriarcas e matriarcas são exemplos da elevação humana e de como podemos ser gigantes, de como existem gigantes em nós.
Atividade física intensa, voltada para o condicionamento físico e a defesa pessoal, ensinando que para estarmos bem mental e espiritualmente, o físico também é importante.
É tudo tão intenso, que é como se nesses 10 dias sentíssemos tudo à flor da pele, e então nos damos conta do que somos capazes e da força que temos, do quanto cada instante é lindo e marcante ao seu modo. Cada instante é precioso. E nesses 10 dias, tudo o que temos à fazer é aproveitar. Aproveitar e evoluir. Aprender e crescer. E então, quando os 10 dias acabam, bate uma nostalgia e uma saudade, acompanhadas de felicidade, porque saímos da Yeshiva compreendendo melhor o que é paz e a essência do judaísmo, prontos para tentar aplicar isso em nossa vida, e de esperança, porque dentro de alguns meses, teremos a Sexta Yeshiva do Sertão, e o ciclo começará outra vez.
Gratidão ao Todo Poderoso, aos meus pais pelo incentivo e aos meus mentores Rabino Ventura e Rabanit Jacque!
Sinagoga Sem Fronteiras!
Rumo a Sexta Yeshiva do Sertão!


By: @MarianaAmorimGuimarães, 17 anos, Paraíba.