Comunidade Sinagoga sem Fronteiras

Estados Unidos - A comunidade judaica Reconhece suas raízes brasileiras

A comemoração ‘BRASILEIRA’ dos 365 anos da comunidade judaica dos ESTADOS UNIDOS.

Dia Histórico!

“Desculpe-nos por te-lo deixado para trás, no entanto, o que realmente importa é que você finalmente nos encontrou!

Ainda que para isso tenha demorado… 365 anos! – falou, bem humorado e visivelmente emocionado, o carismático Rabino Meir Soloveitchik, membro de uma das mais renomadas linhagens de rabinos e Rabino Chefe da comunidade Shearith Israel, ao jovem historiador e convidado de honra, Aldrey Ribeiro, de Campina Grande, Paraíba, enquanto dava alguns carinhosos tapinhas em seu ombro.

Ao redor, fazendo par com os magníficos lustres de cristal e com o luminoso mármore Cor de Rosa, que embelezam a luxuosa sinagoga de Manhattan, sorrisos e olhares brilhantes iluminavam as faces dos judeus Norte Americanos, ávidos por ouvir mais sobre as impressionantes histórias referentes ao fantástico e épico retorno dos ‘Filhos dos judeus forçados’ brasileiros à Nação de Israel, depois de séculos de perseguições e décadas de ‘portas na cara’.

Tempo:

-Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018 – 7 de Tevet de 5778.

Espaço:

Sinagoga ”Shearith Israel” – ”Remanescentes de Israel”, fundada pelos 23 judeus de Pernambuco, que fugindo da reconquista (e da inquisição portuguesa) no Nordeste brasileiro, aportaram, após várias tribulações, em 1654, em Nova Amsterdam, fundando aquela que viria a ser uma das mais vibrantes comunidades judaicas do planeta.

As preces do Shabat já haviam terminado e agora as quase 200 pessoas que haviam comparecido à sinagoga para o evento, se dirigiam ao salão nobre, aonde após o jantar, o jovem Ribeiro contaria sobre a saga de retorno de sua família – história semelhante às de tantas outras milhares de famílias brasileiras.

Antes de descer as escadas, porem, uma parada, desta vez para contemplar, embasbacados, a placa que homenageia os líderes das antigas gerações.

Peço ao leitor que preste atenção aos sobrenomes portugueses, bem ‘brasileiros’ dos já falecidos beneméritos:

”Saul Moreno Abraham – 1655

Haim de Lucena – 1682

Benjamin Wolf -1720

Moses Lopez de Fonseca – 1726

David Mendez Machado – 1734

Benjamin Pereira Mendes – 1753

Joseph Jessurun Pinto – 1759

Gershom Mendes Seixas – 1766

Jacob Raphael Cohen – 1783

Emanuel Nunes Carvalho – 1784

Moises Levi Maduro Peixotto – 1818

Isaac Benjamin Mendes Seixas – 1828″

Após a parada e a leitura, arrepiados, seguimos para o jantar, que estava impecável, quanto ás companhias, eram melhores ainda. Eu, minha esposa Jacqueline, e Aldrey, dividimos a mesa com Rabbi Rhodes, o ilustre Hazan da Sinagoga, e com a sua linda família.

Depois do jantar o renomado parlamentar e Rabino Haim Amsalem, deixando o público deslumbrado, discorreu, brilhantemente, sobre as dimensões legais, políticas e proféticas do movimento, depois, fui chamado para falar sobre a impactante história da Sinagoga sem fronteiras e sobre a nossa atuação social e religiosa no Brasil.

E na sequência, o momento mais esperado:

Aldrey, o jovem historiador, oriundo do interior da Paraíba recebia a palavra e como que num passe de mágica, os holofotes do poderoso judaísmo Norte Americano estavam voltados para o renascente judaísmo de Raiz do Brasil, que não decepcionou:

“Pra carne e pro leite duas frigideiras

No luto vó cobre sua cristaleira

E acende as velas na Sexta-Feira

Verruga nasce se estrela apontar

Galo se abate bem na jugular

E o sangue todinho se deixa escorrer

como a água da casa quando alguém morrer…”

A cada costume contado mais as pessoas se inclinavam para poderem ouvir melhor, e a cada revelação, mais silêncio se fazia e assim o fabuloso relato do retorno de Ribeiro acabou por arrebatar o público inteiro.

Findada a palestra vieram as perguntas e com elas a sobremesa, que puxou as rodinhas de conversa.

A noite havia sido um sucesso!

Terminado o evento voltamos ao hotel aonde passamos a noite acordados, sonhando como os que retornam do exílio da Babilônia.

Na manhã seguinte voltamos à sinagoga aonde contemplamos os peculiares costumes do rito Hispano-Português, com suas cartolas e fraques, ao som dos maravilhosos Hazanim (cantores), acompanhados pelo sublime coral.

(Esta foi a primeira vez que vi uma sinagoga ortodoxa com coral!)

O momento mais emocionante, porem, ainda estava por vir e ele se deu quando concederam a Aldrey a honra da leitura na Torá.

Se contássemos o que estávamos vivendo naquele momento, anos atrás: – que um dos ‘nossos Judeus Bnei Anussim nordestinos’ estava subindo na Torá em Nova York! – diriam que estávamos delirando, ou mentindo e se o disséssemos, há mais de 2 séculos, retrucariam dizendo tratar-se do cumprimento das profecias de Isaías.

Mas não era mentira, nem tampouco delírio.

Sentado escutei o jovem Ribeiro entoar em alto e bom som, na primeira sinagoga dos Estados Unidos a reverência ao Dono da História, a bênção da Torá:

– ”…Fonte das bênçãos és Tu, Senhor, que nos concedes a Torá.”

Emocionado voltei os meus olhos para o trecho que seria lido a seguir, quando, surpreso, me dei conta de que nele constava, nada mais, nada menos do que o nome daquela ‘Sinagoga dos Remanescentes’ (Shearith), em um contexto muito semelhante ao que vivíamos naquele momento:

José, à exemplo do que faziam nossos irmãos Norte Americanos, estendia suas mãos em ajuda, aos seus 11 irmãos, ao mesmo tempo em que explicava que sua chegada ao Egito (os Estados Unidos da época) teria sido planejada pelo Criador, para que no momento certo ele pudesse acolher seus remanescentes (Shearith), salvando-os da morte e do extermínio.

Descrente no acaso e profundamente tocado pela coincidência, senti que a mim só restava agradecer por tudo o que estava acontecendo com o nosso movimento e pelas maravilhosas portas que tem se aberto para os nossos irmãos Bnei Anussim do Brasil e de todo o mundo!

Gratidão ao Rabino Meir Soloveitchik pelo acolhimento e a toda a diretoria e comunidade Shearith Israel.

Gratidão à todos os que acreditaram e acreditam em nossa atuação e toda a nossa gratidão ao nosso Criador e Pai Eterno por nos conceder a honra de servir a este movimento épico e histórico de retorno dos Shearith Israel (remanescentes de Israel) à Tzur Israel, a Rocha, ao Deus de Israel. (Nome da comunidade judaica do Recife, da qual vieram os 23 pioneiros para Nova York.

RabinoVentura e JacqueVentura

Sinagoga sem fronteiras

Reunindo os Dispersos de Israel

Comunidade Zera Israel

Tevet 5778 – Dezembro de 2018 – Marco histórico do movimento.